AKB0048 – Bagunça


Não procurei nenhuma informação na net em relação a este anime antes de assistí-lo. Na verdade eu só queria um anime que tívesse muita música e performances de palco, à lá The iDOLM@STER (que preciso parar para escrever sobre uma hora dessas), então dei uma pesquisada no MAL e no AniDB. Pesquisada é maneira de dizer. Cliquei no link das tags que eu queria e cai em AKB0048 completamente por acaso. Para se ter uma idéia nem li sobre a descrição. Depois de o encontrar em alguns fansubbers nacionais e gringos acabei ficando com a versão do EveTaku (por causa da qualidade da imagem), mas no final das contas os arquivos ficaram parados aqui por umas boas duas semanas antes de eu pensar em assistir, afinal, a esta altura eu já tinha bisbilhotado a net e descoberto a premissa, e isso não me encorajou muito. Pra começar é óbvio desde o começo que o anime é uma propaganda declarada do agência de ídolos AKB48 (desde o nome), mas como eu não conheço este grupo posso assistir o anime pelo que ele é.

O que dizer de um anime que é mediano na melhor das hipóteses no começo, cai um pouco na qualidade na execução no durante, mas acaba de forma espetacular? Bom, “acabar” até ali porque muitas das mais óbvias perguntas que foram feitas durante a sua apresentação não foram respondidas no final das contas. Claro que deixaram esse material para a segunda temporada que foi anunciada logo depois do último episódio, mas mesmo assim, o que dizer sobre ele? Vou tentar quebrar ele de forma mais inteligivel possível.

A história não podia ser mais maluca. Num cenário em que o universo possui zonas em que o entretenimento (leia-se música e ídolos) são banidos um grupo de cantoras faz shows com táticas de guerrilha para seus fãs de planetas que estão dentro dessas zonas de entretenimento banidas, para dar às pessoas esperança, amor e solidariedade. (Argh!!! Vocês não sabem o quanto tempo demorei para conseguir montar essa frase. Putz.) Para isso elas devem ser treinadas tanto na arte da performance, dança e música, como soldados especiais na arte do combate armado. E por aí começa uma trama pegajosa, que envolve uma entidade escondida em um porão que é reverenciada como um Deus, pequenas criaturinhas que brilham pelas meninas chamados de “Kirara” (só para constar a palavra キラキラ-kirakira significa brilhar em japonês) e que brilham mais forte conforme os sentimentos de quem está cantando, muita música, combates armados, mechas, microfones/sabres-de-luz, danças, performances, e muito mais.

O character design é limpo e bem ajustado, mas tem algumas coisas que são estranhas demais. Tirando o óbvio das cenas em CG das performances, em que as meninas não parecem quase nada com o seu modelo em 2D (Sério, se eles fossem utilizar tanto CG, poderiam ter feito o processo reverso, fazendo os modelos em 2D a partir das CGs, mas isso é outra história), temos as marcas de coração nos olhos e cabelos das meninas. Eu achava que era apenas uma opção visual feita pelos produtores até que em certo episódio algumas meninas que estavam assistindo a um dos shows tiveram os seus olhos adornados com os mesmos símbolos. O que significam eles afinal? Marcas da esperança que elas receberam? Que elas serão parte do grupo no futuro? Vale apontar que não é nem mencionado esse fato em lugar nenhum durante toda a série. Levando em consideração que a produtora delas possuia a mesma marca quando fazia parte do grupo e essa marca se transformou numa estrela de quatro pontas depois que assumiu o cargo que ocupa durante a história, e que a fotógrafa que apareceu durante a história era parte do grupo antigamente e agora não possui mais as marcas, só para ganhar de novo durante o último episódio, é de deixar qualquer um em parafuso.

A animação é mediana, isso porque os modelos em CG tomam conta da maior parte das animações durante as performances dos shows e quando acontecem as batalhas entre os mechas e as meninas, tem explosões demais e as batalhas são geralmente à noite o que atrapalha ainda mais a visualisação do que está acontecendo.

A trilha sonora é uma das coisas que merece ser levada em consideração pelo menos. Tanto a música de abertura quanto encerramento são legais, e algumas da insert songs são interessantes apesar de algumas serem infantis demais para meu gosto. Fora isso, as melodias usadas durante as cenas que deveriam gerar emoção são bem escolhidas, apesar das cenas em si não serem nada demais, já que é difícil a gente se investir em qualquer das personagens como favorita simplesmente pela quantidade delas. São 4 no começo, 7 já no segundo episódio, 9 no terceiro e durante a apresentação os números não param de aumentar. No final das contas são umas 20 e isso que eu desisti de contar quando apresentaram as meninas da 76ª geração. (Só para constar, as quatro iniciais fazem parte da 77ª). Voltando ao assunto, a trilha sonora consegue manter bem o clima das cenas, sejam elas para invocar drama ou nas partes mais suaves e cômicas do anime, então parabéns a equipe neste quesito.

Pessoalmente, com esse número de personagens é difícil de se falar em desenvolvimento delas, até porque só o que a gente consegue ver é a superfície dos seus estereótipos, então não dá para falar nada em relação a isso. Mesmo as histórias mais desenvolvidas não são profundas o suficiente para fazer com que a gente sinta elas na pele. Claro que o potencial para isso elas tem, mas acredito que eles fizeram bem em não entrar neste mar de lama nesta série. Ela funciona bem melhor sem isso incomodando. Achei inclusive que eles iam tentar enfiar alguma coisa durante o último episódio com a Nagisa perdendo a voz e tudo mais, mas graças a deus não enfiaram guela a baixo muito drama nesta parte, então a relativa facilidade e velocidade com que as coisas se resolveram, apesar de superficiais, funcionaram bem para o tom desta série.

Recomendações? Dexa ver, é difícil recomendar algo assim. É um anime para ser assistido por si só, e não comparado com outros. Se você acha que consegue então vá em frente. Não comece a assistir com expectativas muito altas que vale a pena.

Sniperk
Over and Out

~ por Sniperk em 10/09/2012.

 
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