Redemption – Steins;Gate

Nome estranho para um anime não acham? Não tem absolutamente nada a ver com nada e não faz parte de nenhuma das pseudoteorias que são jogadas na nossa cara durante toda a história. E quer saber a pior parte? Funciona. A bagunça funciona.

Hoje pretendo falar de um dos animes que, apesar de no fim das contas não passa de mais um eroge, é uma adaptação que ficou muito boa. Steins;Gate.

A primeira vez que fiquei sabendo de Steins;Gate, pensei em algo como Ergo Proxy. Dizem que a primeira impressão é a que fica, e o que eu lia a respeito do anime, não me tirava isso da cabeça. A princípio acreditava que era uma continuação de Chäos;HeAd, pelo título e por que ambas histórias faziam parte do mesmo cenário criado pela Nitroplus. Até que me interessei por Steins;Gate, mas como eu ainda tinha na cabeça a idéia de que era a sequencia de Chäos;HeAd, eu fui deixando de lado, porque, até onde eu sabia, Chaos era uma das Visual Novels com mais guro(cenas grotescas com sangue e tripas espalhadas) já empregada em um eroge até então. Imaginava que a adaptação de Chaos seria bastante parecida, porém a cada episódio de Steins;Gate que saia eu ficava mais intrigado pelos comentários que circulavam na web. Até que decidi assistir Chaos e Steins. Sobre Chaos pretendo falar outra hora, mas basta dizer que depois de aguentar os 12 episódios foi que eu descobri que não precisava assistir. Não me arrependo pois Chaos é interessante em outro sentido, e o sabor de Steins;Gate acabou sendo muito melhor com esse conhecimento prévio.

S;G é uma história completamente norteada pelos personagens, que avançam o enredo e não os acontecimentos a sua volta que fazem com que os personagems precisem agir. Toda a loucura começa quando o protagonista, o auto intitulado “Cientista Maluco” Houoin Kyoma, ou melhor dizendo, Okabe Rintarou, está visitando uma palestra sobre uma máquina do tempo. Depois de causar uma bagunça na palestra, testemunhar um assassinato, e a queda de um satélite no topo do local onde a palestra estava sendo ministrada, as coisas começam a acontecer. Assim como ChÄos;HeAd falava sobre psicologia e ilusões, S;G trabalha a fundo com diversas teorias sobre a viagem no tempo.

A premissa ao meu ver era interessante, porém um tanto quanto básica em se tratando de uma história que fala sobre viagens no tempo. Mas antes do final do primeiro episódio, algo já havia me feito me imergir na história. E ao final do terceiro episódio, já tinha engolido a isca, com anzol e linha. A isca nesse caso eram os personagens em si e as suas interações uns com os outros. Puxando a frente temos o já menciona Houoin Kyoma A.K.A Okabe Rintarou. Um universitário que junto com Shiina Mayuri e Hashida Itaru, formavam o Laboratório. A eles começam a se juntar varios personagens, mas como esse anime é baseado em um eroge, todos os outros personagens que apareceram e foram ‘convidados’ a fazer parte eram meninas. Não que isso fosse ruim, mas tinha essa fórmula e maneira de agir tinha tudo para arruinar um anime que tinha tudo para ser ótimo.

Entra Makise Kurisu, a heroína principal do anime, que além de ser uma gênio é uma tsundere de carteirinha. “Christina”, como Okabe se referia a ela, além de ser uma valiosa adição para o Laboratório, foi uma incrível adição ao enredo, pois afinal de contas, tudo começa com a morte dela.

Daí para diante a história se desenrola normalmente, fazendo com que a gente conheça e, principalmente, se identifique com vários dos personagens, como a Amane Suzuha, alguém que, num mundo normal seria chamada de paranóica, mas como isso é anime… ( sem falar que ela é dublada pela Tamura Yukari-sama *-* ). Temos também Feyris Nyannyan A.K.A. Akiha Rumiho, que, sozinha, é dona de mais de NOVENTA por cento de Akihabara (para quem não sabe, Akihabara é para Anime/Mangá o que Vaticano é para o Catolicismo), e é dito que foi idéia dela mesma trazer toda a cultura dos animes/mangá para aquele distrito. Um dos mais controversos personagens na minha opinião é Urushibara Ruka, que no começo do anime é “ele” e depois de certos acontecimentos se torna “ela” e depois “ele” de novo. Engraçado como, mesmo com todas essas mudanças, o seu character design não altera em nada. Por fim temos Kiryuu Moeka, ou Shiny Finger, uma introvertida que não gosta de falar com ninguém diretamente, apenas usando o seu celular para mandar mensagens… mesmo quando a pessoa está bem na sua frente. Uma pena porque ela é dublada pela Gotou Saori, uma das vozes que achei mais interessantes.

A história parece se desenrolar sem muito mistério, a não ser pela onipresente SERN, que deveria ser CERN (sigla em francês para Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear), mas isso não vem ao caso. Eles vão fazendo experiências e as coisas vão acontecendo normalmente até mais ou menos a metade do anime, ou seja, lá pelo episódio 12-13, que é quando a acontece a mudança de clima da história. Até aqui tudo é mais ou menos como qualquer comédia romântica, mas com um cenário um pouco mais adulto. O que carregava o anime nas costas eram os personagens. Desse ponto em diante, as coisas acabaram ficando mais tensas já que o Okabe tinha que dar um jeito de salvar a Mayuri, tentando enganar o tempo.

Depois de muita briga (e de falhar repetidas vezes) começa a parte que eu considero a mais fraca do anime, pois tratavasse de desfazer os D-Mails (mensagens enviadas para o passado) que foram enviados anteriormente. A essa altura eu já estava completamente imerso no universo desse anime então não faria muito sentido para mim simplesmente abandonar a história, então segui em frente.

O segmento final, com a morte da Kurisu e a maneira como o Okabe a salvou da morte certa acabou sendo, de certa forma, um tanto anticlimático, porque a maneira como ele fez isso foi, efetivamente, spoileada no episódio anterior, a exceção de um ou outro detalhe, como o fato dele usar o seu próprio sangue para enganar o Okabe do passado.

Falando em produção, o character design desse anime é um tanto quanto diferente, principalmente em relação aos olhos e irises, mas é um estilo que não me desagradou e caiu como uma luva para o cenário. Cenário que, aliás, é tão detalhado e com movimentado que em certos momentos você pensa que está assistindo a um filme ao invés de um anime, o que ajuda bastante na imersão. A música e os arranjos não eram lá essas coisas, mas em alguns momentos foi fácil de se perceber as suas qualidades. Tanto a abertura “Hacking the Gate” e a insert song/encerramento no episódio 23 “Sky Clad no Kansokusha” cantadas pela Itou Kanako já fazem parte do meu repertório de músicas que não saem da minha playlist, principalmente “Sky Clad no Kansokusha” pois a letra traduzida fala da história de forma perfeita, e ajuda a dar um clima e tanto. Bom isso era de se esperar, já que essa também é a música de abertura da VN no Xbox.

Apesar de ter um final meio fraco, comparado com o seu começo forte, e ser de certa forma anticlimático, é um daqueles animes que você assiste pela jornada e não pelo final, então eu não me arrependo de ter assistido a ele. Recomendado para qualquer um, pois tem de tudo um pouco.

Sniperk
Over and Out

~ por Sniperk em 12/10/2011.

3 Respostas to “Redemption – Steins;Gate”

  1. Oi… legal seu blog.. vc discursa muito bem sobre os animes.
    Continue postando🙂

  2. Esta basado en novela visual no en eroge y si es bastante bueno.
    suerte

  3. Olá, gostei MUITO do seu review sobre o anime. Realmente muito interessante.
    Só discordo do seu ponto de vista ao dizer que o final foi fraco em relação ao anime.
    Ao meu ver, o final foi épico. O que ele fez para ‘driblar o destino’ e salvar a Cristina foi surpreendente.
    Quem é louco por ficção científica sabe que viagens no tempo são coisas muito complicadas até de se imaginar, e acho que esse anime deu uma ótima solução para os problemas causados pelo Okarin. Sem contar no uso da teoria do Efeito Borboleta (quem ja viu o filme sabe como eh parecido com o anime) que deu o toque de mestre ao enrredo.

    Vlw, e belo blog.

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