Redemption – Amagami SS

Mordiscar. Segundo a definição do termo na língua portuguesa, seria “marcar com os dentes”, “morder repetidamente” ou “morder ligeiramente”. Amagami, no entanto, não tem uma tradução direta para a língua portuguesa, porque significa exatamente mordidas de brincadeira, porém também significa, dependendo do contexto, algo no sentido de “amostras de sabor”.

Dando seguimento a minha série “Redemp”, vou falar hoje de uma das séries que me devolveu o gosto por séries de comédia romântica, Amagami SS.

Seguindo verdadeiro as suas duas traduções, Amagami SS, nos dá uma série diferente das comédias românticas a que estamos acostumados em anime, porque simplesmente dá uma amostra de como seria a vida do nosso personagem central, Junichi, caso ele se apaixone por cada uma das heroínas, sendo que temos seis heroínas principais, mais uma que apesar de ter apenas um episódio, conseguiu um grande número de fãs, e mais um episódio especial que, ao meu ver, foi melhor do que se tivesse terminado em uma situação romântica entre o protagonista e a irmã dele. Não que eu tenha problemas com incesto, principalmente em anime, mas não me sentiria bem se isso acontecesse, pois em nenhum momento foi mostrado eles nessa situação.

Bom, to botando o carro na frente dos bois, pois este seria o último episódio da série. Como diria o velhinho em cima da montanha, senhor da redundância, se vamos começar, comecemos do começo. Entrei em contato com esse anime porque havia assistido a “Kimikiss Pure Rouge” algum tempo atrás e, lembrando que gostei dele na época, e que Amagami SS seria um tipo de sucessor espiritual de Kimikiss, resolvi dar uma chance. Entrei nesse anime com a idéia de que seria como outros de seu gênero, com a mesma premissa de sempre, com o nosso personagem principal tendo várias meninas apaixonadas por ele sem nenhuma razão aparente, o que o primeiro episódio não fez com que essa sensação passasse, mas a partir do segundo, isso acabou sendo jogado por terra, com a cena da confissão de amor de Junichi pela Haruka. Isso foi algo que me deixou desconcertado a princípio, e ao mesmo tempo com vontade de assistir mais. O que é sempre bom em qualquer anime.

Depois disso, foi a coisa foi uma roda gigante, com a rejeição inicial dela, acabei pensando que as coisas voltariam ao normal para uma comédia romântica, pois voltaria ao status quo e tudo mais. Ledo engano, pois o Junichi caiu de cabeça na sua tentativa de relação com a Haruka, e ela passou a olhar ele com olhos diferentes.

A essa altura eu já estava achando que algo estava errado com esse anime. As coisas estavam acontecendo rápido demais para uma comédia romântica. E quando ambos ficaram realmente juntos no quarto episódio, minhas defesas caíram por terra de vez. Que diabos é isso? me lembro de ter pensado. Como é que eles vão seguir a história adiante com 25 episódios se no quarto eles já ficaram juntos? Na hora pensei em CLANNAD, um dos melhores animes que já tive o prazer de assistir, e que em ~After Story~ foi uma das mais poderosas experiências de desenvolvimento de personagem que já tive o prazer de assistir. Será que eles iriam tentar algo parecido? Nem preciso dizer que minha expectativa foi elevada ao quadrado para o próximo, o quinto episódio. Porém, segundos depois, aconteceu algo que me deixou novamente embasbacado. Um epílogo, dez anos no futuro, mostrando os dois casados e felizes. De novo, as palavras que vieram a minha cabeça foram “Mas que diabos é isso?”

Gostaria de dizer que, quando busco assistir um anime desses antigos, procuro não me spoilear quanto ao conteúdo, formato, etc. portanto, quando o segmento da Haruka terminou eu não fazia a menor idéia de o que eu tinha metido a cabeça.

Começa o segmento da Kaoru, com um flashback, e eu ainda não tinha entendido o que estava acontecendo… Até que ela aparece acordando o Junichi com uma mordida na orelha. A essa altura eu já tinha entendido mais ou menos o que estava acontecendo. Resetaram, literalmente, o cenário. Ou seja, ele não estava mais atrás da Haruka, como nos episódios anteriores, mas sim, pelo que deu pra ver no começo do episódio, seria uma história sobre a Kaoru. Fiquei enfurecido com isso, na boa. Quase parei de assistir a essa altura de tão bravo que fiquei. Mas, logo depois a Kaoru dá um golpe de luta livre nele, e tive que rir. Deixei esses pensamentos sobre desistir de assistir essa história e resolvi continuar.

A história da Kaoru é uma dos segmentos mais doces e engraçados ao mesmo tempo nesse anime, pois a relação entre os dois começa com uma amizade muito forte e se mantêm assim. Depois que terminou o segmento dela, eu fiquei pensando no porque eu queria parar de assistir só porque resetaram o cenário. Felizmente resolvi dar uma chance, e fui recompensado imensamente com uma história romântica, pura e simples, sem usar outras coisas no enredo que não envolvessem romance, culminando naquela confissão no topo da torre, assistindo a neve cair de cima para baixo pelo vidro no piso. Foi uma das cenas mais doces e gentis que já assisti em anime, o que consolidou pra a mim a vontade de continuar assistindo, mesmo sabendo que o próximo episódio, provavelmente seria um novo reset.

Dito e feito, no nono episódio, novo reset, novo encontro, nova heroína. Desta vez, foi Nakata Sae, uma kohai do nosso protagonista. Porém, algo diferente, novamente, acontece logo no começo do episódio. Um narrador. Sério, só isso foi o suficiente para me deixar em parafuso. A maneira como ele falava, me lembrava da narradora de “Ookami-san to Shichinin no Nakamatachi”, o que não poderia ser bom, visto que a “narração” naquele anime deixava a gente mais perdido do que qualquer coisa. As explicações dela eram sempre por coisas óbvias que dava pra ver na tela, e quando seria necessária alguma explicação para o que tinha acontecido a narradora sumia. Isso me deixava doido. Quando o narrador começou a apresentar o Junichi logo no começo do episódio eu pensei “PQP. Só o que me faltava.” Ainda mais quando o Junichi, assim como os personagens de Ookami-san faziam, resolveu falar diretamente com o narrador. Será que a história da Sae é tão fraca que eles precisavam usar esse tipo de artifício? Isso já me deixou nervoso.

Quando o segmento da Sae acabou, olhando para ele como um todo, ele acabaria sendo um dos mais idiotas, não fosse pelo narrador, por incrível que pareça. A história dela é a segunda mais fraca, na minha opinião, de todas as heroínas, e o acréscimo do narrador, acabou dando um sabor extra, e ficou bem melhor. Sem falar na roupa que ela usa no encontro deles no cinema que é algo de deixar qualquer um doido. @_@

Depois da Sae-chan, veio um dos segmentos que eu mais esperava. Nanasaki Ai. Essa menina tem todos os atributos possíveis para uma tsundere, mas não é. É madura, e sabe como agir quando necessário e o que fazer com a sua própria vida. A maneira como eles se conheceram, no final das contas, acabou sendo também um tanto batido, já que ela acusou ele de ficar olhando por baixo da saia dela, mas dada a situação, era meio difícil de não se olhar. Depois disso foi uma sequencia absurda de encontros casuais entre os dois, tanto que a relação deles ao final do encontro no parque de diversões já estava praticamente selada, no terceiro episódio do segmento dela, quando ela os dois se beijaram. Por isso foi um tanto estranho quando, ao final do quarto episódio, teve uma cena de confissão… com os dois pelados em uma terma… no meio do nada… O pior de tudo é que essa cena não ficou na minha cabeça como uma cena erótica, nem nada do tipo e sim como uma cena incrivelmente doce.

Ao final deste segmento começou o segmento da Rihoko, que acabou sendo o mais fraco entre as heroínas. Não sei bem porque, talvez por causa do seu final, mas a imagem que este segmento acabou deixando foi a de uma amizade fortalecida entre os dois e não de uma paixão que estava por acontecer. Claro que não ajuda também que a Rihoko era a única das seis heroínas que já era apaixonada pelo Junichi antes da série começar, então acabou ficando uma coisa muito diferente dos outros segmentos, e isso que o segmento dela foi o que levou mais tempo (não em episódios, mas tempo dentro do seriado) não terminando próximo do Natal como as outras, mas sim no dia da festa de boas vindas do clube de chá do ano seguinte. Pensando bem, o segmento dela foi interessante em outro sentido. Visto que todas as heroínas no final das contas acabavam com o Junichi, ela foi a única que não acabou o seu segmento de forma romântica, e isso definiu de vez a série para mim, já que a produção não forçou um casal quando era óbvio que não deveria acontecer.

Por último, o segmento mais esperado por todos, o Ayatsuji Tsukasa. Posso dizer que tomei um chute no estômago quando vi o primeiro episódio deste segmento. Simplesmente porque eu não esperava que a última heroína fosse uma duas caras. Não esperava mesmo. Reassistindo os outros segmentos, dava pra perceber que algo não estava muito certo com essa menina, mas sei lá. Talvez porque eu estivesse mais concentrado na menina da vez, ou porque eu não quisesse perceber, mas o fato é que me pegou de surpresa. Mas no final das contas, o segmento dela foi um dos mais interessantes justamente por isso, já que ela não era realmente uma santinha como eu pensava, e o personagem dela cresceu e mudou um bocado durante a história.

Mas peraí, ainda tinha mais um episódio. Sobre o que será que ele seria? Eu imaginava que fossem usar para o segmento da Tsukasa e por isso deixaram ela por último. Quando o segmento dela acabou com o epílogo dez anos no futuro, essa idéia foi por água abaixo, então fiquei pensando no que eles usariam este último episódio… Talvez uma recapitulação, ou algo parecido? Ledo engano. E como gostei de ser enganado nesse caso, porque fui presenteado com um dos personagens mais interessantes de toda a série. Kamizaki Risa. Ela aparece até mesmo nas duas aberturas durante toda a série, mas só depois de assistir esse episódio que a gente percebe. Esse episódio acaba finalmente revelando o que e, principalmente, porque aquilo aconteceu com o Junichi dois anos antes.

E pra completar ainda mais, o episódio especial, o episódio da Miya. Falando da Miya, não tem como se não falar dos personagens secundários em cada um dos segmentos. Eles brilham e muito, e cada uma das meninas tem os seus coadjuvantes praticamente exclusivos ao seu segmento, como a Hibiki no segmento da Haruka, e um pouco no segmento da Ai também, e as sempais da Rihoko do clube de chá, sem falar na professora dea turma toda. É um desfile de personagens que são interessantes no sue próprio sentido, mesmo não sendo únicos na sua execução.

Falando na parte de produção do anime em si, pouco tem para se falar que não seja do enredo, como já fiz antes. O caracter design não é nada demais neste anime, mas também não é ruim. Particularmente, eu gostei mas não foi nada demais. Os cenários também em certos pontos não eram tão detalhados quanto outros. A música não atrapalha, mas em poucos pontos ajuda a dar um clima para a história. Pra ser sincero, não lembro de cabeça de nenhuma cena em que a música tenha ajudado a dar o clima, com exceção do final do segmento da Tsukasa em que usaram a primeira abertura como uma insert song. Todas as músicas de encerramento são diferentes, cantadas pelas Seiyuus que faziam as vozes da personagem do segmento do momento, mas nenhuma delas chegou a ser tão interessante a ponto de me deixar com vontade de escutar de novo.

Esse anime foi minha primeira experiência com o formato Omnibus em que acontece um reset de todos os acontecimentos do anime ao final de cada segmento. Só por causa disso, muita gente deve torcer o nariz para esse anime, porque acaba com o desenvolvimento da série como um todo, mas nesse ponto eu preciso discordar. Dando quatro episódios para cada heroína, fez com que o anime ficasse mais coeso, e também acabou com a síndrome da menina da vez que assola todos os outros animes deste tipo que não usam este formato. Em outros animes, quando acaba o arco da menina em questão ela fica praticamente relegada a segundo plano, raramente fazendo algo digno de nota, e isso deixa muitos fãs bravos por que gostam da menina “X” ou “Y”. Neste aqui não existe isso porque a menina “X” é a menina da vez e a “Y” nem faz parte da história para começo de conversa, então não tem como ela ficar em outro lugar que não seja o segundo plano mesmo. Que outro anime te dá, no mínimo, oito finais diferentes, desenvolvendo a fundo todos os personagens em cada um deles? Sinceramente, o único outro anime que assisti que usa esse formato foi “Yosuga no Sora” e ele não chega aos pés de Amagami SS comparando o desenvolvimento de todos os personagens.

Por tudo isso, Amagami SS se encaixa perfeitamente no conceito da sua tradução literal (ou uma das traduções, que seja), nos dando amostras de como seria cada uma das possibilidades na vida do nosso personagem principal, sem sacrificar nenhuma das heroínas.

Recomendado, e muito, para qualquer fã de romance adolescente, seja ele em anime ou não. Vale muito a pena.

Sniperk
Over and Out

~ por Sniperk em 11/10/2011.

Uma resposta to “Redemption – Amagami SS”

  1. Meus congratis para queme escreveu isso, resumo/oponião muito bom!!

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