Redemption – Fate/Stay Night – Unlimited Blade Works

Se vamos começar, vamos por algo mais simples. Simples de falar sobre, não simples no seu roteiro ou contexto. To falando de um filme, e não é qualquer filme não, é simplesmente Fate/Stay Night – Unlimited Blade Works, ou UBW.

Para vocês terem uma idéia do que é assistir UBW sem ter qualquer conhecimento da sua história na Visual Novel original, eu poderia descrever como sendo uma bagunça total e completa, feita para simplesmente jogar dezenas e mais dezenas de cenas de ação e fazer uma tentativa medíocre de criar tensão entre as partes envolvidas na batalha. A maneira como Archer, Rin, Saber, Caster e até mesmo o Shirou, entre tantos outros agem durante esse filme fazem pouco ou nenhum sentido para quem apenas assistiu a adaptação que saiu a alguns anos de Fate/Stay Night.

Bom, por uma razão ou por outra, resolvi jogar a Visual Novel Fate/Stay Night, e depois de entender a mecânica do jogo e me fascinar por seus personagens, tive a idéia de dar uma nova chance para o anime, que na época que assisti, não me interessou muito, por causa da arte estranha e com certa falta de detalhamento no character design. Bom, basta dizer que, mesmo depois de jogar as três rotas da Visual Novel, essa adaptação de Fate/Stay Night para o anime, continuou não me agradando, mas por razões diferentes desta vez.
A história do Shirou e da Saber é muito mais profunda do que apenas o que foi mostrado no anime, e considerando que eles encheram o anime com cenas que tinham pouquíssima relevância (quando tinha alguma relevância qualquer) para a história, fiquei ainda mais decepcionado. Talvez por isso que quando assisti novamente UBW, já comecei com as minhas expectativas muito em baixa. Nesse caso, acho que isso foi uma coisa boa, porque a experiência foi completamente diferente e muito mais emocionante do que no caso do anime.

Como disse anteriormente, para quem assiste pela primeira vez UBW, sem ter qualquer conhecimento prévio, a experiência parece supérflua e em certos casos, sem sentido. Isso porque, coisas importantes para as motivações e maquinações dos personagens são ditas apenas em passagem e, se você não entendeu direito ou deixou a referencia passar, as ações parecem completamente sem sentido. Eu poderia exemplificar isso no caso do Kirei forçando o Gilgamesh em um contrato com o Shinji, depois que a Rider é derrotada Caster na escola. Porque diabos ele faria isso? No filme não é dito praticamente nada, mas na Visual Novel é explicado em detalhes. E falando da Rider, porque ela é o saco de pancadas tanto em Fate/Stay Night, quanto em UBW? Porque O Gilgamesh arranca o coração da Illya? Porque a Saber é a única a lembrar da última Guerra do Santo Graal, além do Gilgamesh? Da onde que o Shirou tirou o Rho Aias, se ele nunca tinha visto o Archer usar ele antes? Porque, porque, porque? Todas essas respostas são ditas apenas uma vez durante o filme, mas estão lá. Então se você não prestar atenção, você acaba deixando passar detalhes importantes para entender as motivações dos personagens. E isso acaba criando um certo grau de Continuity Lock-Out em quem não conhece a história. Ou seja, se você não tem um certo conhecimento prévio da história que o filme é baseado, você acaba se perdendo na história e fica com uma certa sensação de que faltou algo na experiência ao assistir.

Agora, se você já era fã da série, e já tinha jogado a Visual Novel, UBW é um deleite. Finalmente a gente consegue ver a bela animação das batalhas que acontecem. Como deixar de se sentir obrigado a sorrir quando você vê o Shirou invocar Kanshou e Byakuya pela primeira vez contra o Archer, ou o Berserker forçando o seu corpo a se manter vivo para proteger a Illya, ou quando o Shirou invoca a sua versão de UBW contra o Gilgamesh? Claro, existem coisas diferentes, mas isso é óbvio devido a mudança de mídia, como a maneira como a Rin passa o um dos seus magical crests para o Shirou. No filme ela simplesmente toca no seu peito e começa a declamar o encantamento, mas, por razões óbvias, na Visual Novel eles tem que… erm… bem… Vocês entenderam. (Pra piorar ainda mais, eles tem que terminar o ato ao mesmo tempo senão não funciona). Claro, que em um anime que tem uma faixa etária de 16 anos no Japão, não tinha como eles fazerem diferente, mas como era relevante para a história, eles não tinham como simplesmente deixar de fora, então foi criado essa versão.

Bom, eu disse que odiava o tipo de arte que foi empregado no anime, com as suas batalhas mostradas a distância com abuso de speedlines e cenas em stillframe somente fazendo o pan sobre as imagens, o character design inconsistente, e as imagens de fundo vazias. Bom, praticamente nada disso acontece em UBW. Claro, considerando que é um filme, seria até uma blasfêmia de se fazer algo assim, porém, mesmo assim, tudo isso foi revertido e melhorado, como por exemplo o character design que ficou consistente com as transições de cena, as imagens de fundo são vivas e bem animadas, e quantidade de stillframes é quase nula. Claro, ele ainda abusa das speedlines, mas isso é de se esperar de um anime de ação.

Falando em produção, essa versão ficou ainda melhor em relação a música. Boa parte foi retirada diretamente da Visual Novel, porém a maior parte foi remixada, criando uma atmosfera bem mais interessante, e pouco (nada na verdade) repetitiva. A música na abertura do filme, quando o créditos estão rolando, “Unmei no Yoru”, joga a tensão para cima e dali para diante a história e clima não deixam a tensão cair mais. É algo incrível para um filme, manter esse clima durante todas as quase duas horas de duração. A versão de “Emiya” também é algo mais, pois, para quem jogou a VN, sabe que quando essa música tocava, algo incrível estava para acontecer, e o filme não deixou de fazer isso também.

Vou me abster de falar da história em si, além do que eu já disse, exatamente porque não faria sentido comentar sobre os personagems em uma história desse tipo. Como disse antes, esse filme é extremamente dependente do conhecimento prévio da história da VN para que se entenda melhor do que está realmente acontecendo na tela.

No meu caso, a Redenção que esse anime me trouxe foi o fato de ser visualmente incrível e o aúdio muito bom. Até hoje eu ando com muitas das músicas dessa franquia (e da VN) no meu MP3, entre elas “Emiya”, “Emiya v2”, “Mighty Wind”, e as duas aberturas do anime, “Kirameku Namida wa Hoshi ni” e “Disillusion” ambas cantadas pela Tainaka Sachi.

Recomendações para ele? Para quem gosta de ação e não se importa com uma certa bagunça de enredo, mas para quem jogou a Visual Novel é definitivamente algo para não se perder.

Sniperk
Over and Out

~ por Sniperk em 10/10/2011.

 
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